Aconteceu em Janeiro

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Então que Fevereiro chegou e, ao menos aqui em Salvador, trouxe um misto de sol e chuva – mas o calor, como sempre, prevaleceu. E, agindo de acordo com o tempo, trago aqui minhas impressões literárias desse primeiro mês que acabou.

O Mágico de Oz – L. Frank Baum

(224 páginas)

Comprei a edição da Zahar no final do ano passado, com a nítida intenção de iniciar a leitura nos primeiros dias do novo ano. Foi o que aconteceu. A brisa e o sol de Recife e Olinda me acompanharam e foi uma delícia devorar essas páginas. Já tinha assistido ao filme anos atrás (e outras vezes, desde que comprei o DVD) e sempre fui apaixonada pela história de Dorothy, o espantalho, o lenhador de lata, o leão covarde e Totó, enquanto peregrinavam pela estrada de tijolos amarelos em busca do Grande Oz, que dá nome ao livro (similar ao título original). A obra é um clássico e não há muito o que falar. Para mim, valeu muito à pena.

A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera

(312 páginas, Companhia de Bolso)

Fabuloso. É como posso resumir, considerando até como uma das melhores leituras até então. A história é contada sob a perspectiva de quatro personagens, sendo dois dominantes: Tereza e Tomas. Sabina e Franz aparecem, ora apenas ela, sobrepujando o contexto do primeiro casal – muito inserida no contexto, por sinal – ora conjuntamente os dois, como um par, um encontro de corpos, o conflito de peso e leveza da vivência humana. É muito fácil se colocar nos personagens e observar, conforme o desenrolar da história, como estamos sempre, tendenciosamente, tentando encontrar um balanço entre a opressão e como diminuí-la.

Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago

(312 páginas, Companhia das Letras)

Para mim, a leitura mais difícil. É quase impossível não sentir o embrulhar do estomâgo, um mal estar enervante, e conseguir evitar o fechar de olhos – isso pode até ser cabível no cinema, mas jamais diante das palavras que exigem de você mais do que atenção: olhos. Engraçado é que uso duas vezes a mesma palavra, quando a história se passa justamente dentro de um contexto de cegueira. No mundo criado por Saramago uma estranha epidemia tomou a cidade. Em um sinal fechado de trânsito, um motorista fica cego, mas esta é uma cegueira diferente. Ela é branca, como leite, como se um véu fosse colocado sob os olhos. Em pouco tempo mais pessoas se vêem na mesma situação e não demora muito para a cidade ser tomada pelo medo. Em estado de desespero extremo é possível enxergar a verdadeira natureza das pessoas. E a tentativa de outras em manter sua “humanidade” o máximo possível. Foi angustiante, me deixou em diferentes níveis de tensão, mas, com certeza, leria de novo.

O Lado Bom da Vida – Matthew Quick

(256 páginas, Intríseca)

No romance de Matthew Quick nos é apresentado Pat People, um professor de historia, ou ex, como desejarem, na casa dos trinta, que acaba de sair de uma espécie de centro de reabilitação, denominado por ele de “lugar ruim”, tendo como memória recente tão somente uma espécie de pedido de “tempo” de Nikki, sua esposa. É a voz de Pat que nos conta a sua historia, como se ele escrevesse um livro de memórias, algo que o ajudasse a lembrar depois e acalmasse sua mente. E é através de Pat que conhecemos Tiffany, personagem também mentalmente instável e talvez dona das melhores passagens do livro. Tiffany carrega para si a incumbência de trazer Pat de volta à realidade. E uma amizade fora dos padrões começa a ser desenvolvida. O livro é fofo, leve, apesar dos momentos relativamente tensos, mas não muito linear. Vale.

As Crônicas de Narnia – C. S. Lewis

(752 páginas, Martins Fontes)

Sou apaixonada por histórias de fantasia. Quanto mais fantástica e fora dos padrões, melhor. Esse livro trás um compêndio de histórias publicadas por C. S. Lewis como pano de fundo Nárnia, um país numa dimensão diferente da nossa, que teve como criador Aslam, o Grande Rei de todos os animais. São seis histórias ao todo que vão da criação de Nárnia ao seu fim, e referências bíblicas podem ser encontradas no decorrer de todas elas. Apesar disso, fiquei com uma boa impressão do livro e restou a vontade de ler mais coisas do autor – quem sabe em um futuro próximo.

O Talentoso Ripley, Patricia Highsmith 

(296 páginas, Companhia de Bolso)

Tive um problema com esse livro – e por continuar a ter, dúvido que leia os demais a respeito de Ripley. Comprei numa passagem qualquer, em um shopping qualquer, e, bem, não me convenceu. Não gosto da forma como Patricia escreve, um modo que quase não deixa espaços à imaginação. Ela pouco cria cenários, eles são o que são. Mas Ripley é um grande anti-herói. Uma marca, na literatura e no cinema.

O Azarão, Markus Zusack

(176 páginas, Bertrand Brasil)

Ano passado li “A garota que eu quero” do mesmo autor e apenas em razão de “A menina que roubava livros”, obra que tive o prazer de ler há uns três anos atrás. Não tinha intenção de ler Zusack tão cedo esse ano, apesar das boas impressões dos dois livros. Ocorre que surgiu em minha vida o “Volta ao mundo em 12 livros” que trouxe como país inicial Austrália e indicação do autor o próprio. O azarão é o primeiro de uma trilogia que conta a história dos irmãos Wolfe – comecei pelo último, que é a garota que eu quero, e sobre o qual fiz uma resenha no Skoob (http://www.skoob.com.br/livro/329365). Não é o melhor de Zusack, mas depois que você consegue embarcar na cabeça de Cameron, a história toma uma dimensão extasiante.

Não contente, corri para ler “Bom de Briga”, dessa vez baixando o e-book, rs.

Bom de Briga, Markus Zusack

(208 páginas, Bertrand Brasil)

Dos três, para mim o melhor. “Continuamos levantando porque é o que fazemos. Não me pergunte se é instinto, mas todos nós fazemos isso. Em toda parte, as pessoas fazem isso. Sobretudo pessoas como nós.”

Ubik, Philip K. Dick

(238 páginas, Aleph)

Não sei como cheguei a esse livro, estava esperando chegar “O sol é para todos”, minha última leitura do mês, e vasculhando o site lelivros acabei o encontrando e, bem, uma coisa leva a outra. Louco, resume. Não é fantasia, é alucinação mesmo. Escrita em 69, tem como fundo uma sociedade futurista na qual, além das pessoas “normais”, existiam aqueles com poderes telepáticos (algo como x-men), bem assim os que poderiam anular esse poder. Glen Runciter é dono de uma empresa responsável por rastrear esse indivíduos, mas acaba caindo junto com seus funcionários em uma armadilha de uma empresa rival, e Runciter morre. Ou… Bem… Será? Vale a leitura.

O Sol é Para Todos, Haper Lee

(315 páginas, Abril)

As edições desse livro nas lojas convencionais estão esgotadas. Sim, simplesmente acabaram. Acabei comprando meu exemplar através do “Estante Virtual”, edição de 82 em estado de perfeição tal que foi impossível não me apaixonar. A história é fabulosa, e rendeu uma resenha lá no Skoob (http://www.skoob.com.br/estante/livro/38016856), e foi o primeiro livro do ano a me fazer chorar – de verdade, com vontade. Não tenho muito o que dizer, não mais do que a própria sinopse do livro já o diz, mas se há uma indicação a ser feita é essa. Um livro que mexe e movimenta.

“… Eu queria que você visse o que é realmente coragem, em vez de pensar que coragem é um homem com uma arma na mão. Coragem é quando você sabe que está derrotado antes mesmo de começar, mas começa mesmo assim, e vai até o fim, apesar de tudo.”

 

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