Sobre um 19 de fevereiro de 1989.

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Eu tinha uns três anos, ou quase isso, e não devia entender muito de futebol – o que acontece até hoje -, mas fico imaginando aquele momento pretérito, em um 19 de fevereiro de tantos anos atrás, quando, ao fim de um jogo sem gols, o Esporte Clube Bahia registrou, mais uma vez, o seu nome na história do futebol brasileiro. Eu devia usar fraldas ainda, não acham? Devia estar com os olhinhos, ao tempo duas orbes gigantes enfeitando uma face miúda, voltados para a televisão na sala de estar, ou apenas constando ali, enquanto os meus – tão mais velhos – esperavam ansiosamente por um apito final. Devo ter visto a felicidade de meu tio, ou percebido sua euforia. Capitado a essência tricolor de meus primos e o passo errado que meu irmão daria anos depois. Devo ter observado tudo isso, afinal me permito acreditar que fui um bebê perceptivo – uma pequena engatinhante para a vida.

Por muitos anos o futebol baiano navegou nulo em minha vida. Nas primeiras linhas de minha história, dividi o quarto com um rival. E mesmo depois que a idade, a mocidade e quartos separados nos afastaram, preferia torcer para o nada a me vestir de um bicolor fúnebre.

O tempo passou. Para mim, para o Bahia. 25 anos. Águas tantas que correm e correram. Uma palpável decadência em quase 15 anos de completa obsolência, onde até os títulos conquistados, poucos, capazes de serem contados nos dedos, tinham um sabor amargo, um odor acre.

O sangue do Bahêa só continua a pulsar em suas veias por conta de sua torcida. É ela, apenas ela, capaz de manter viva a chama – o fulgor de um clube, a ideologia de uma nação. Comemoramos uma data célebre, uma data em que tinha tudo para semear confiança, esperança e crença na capacidade de um clube nordestino, desacreditado, em vencer. Essa confiança, que pintou o sorriso de muitos baianos há 25 anos e que definhou em meio a más atuações gerenciais, a manutenção de uma blindada oligarquia, o semear de corrupção e medo. E agora paira em nós o palpável sonho de se viver uma democracia que reaviva a chama do possível.

A fé não morreu! Ela vive em cada um de nós tricolores baianos, dos mais céticos aos mais confiantes. E deve ser relembrada hoje, em um 19 de fevereiro de 2014, às 19:30, em meio à Fonte Nova lotada, enfeitada por lágrimas e sorrisos.

Ser imbatível, apesar das adversidades. Levantar sempre, independente da queda. Ser vencedor. Ser Bahêa.

Saudações Tricolores. 

BBMP!

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