“Raimunda”

– Raimunda!

Ela gritou, com toda a intensidade de suas pregas vocais. Gritou como se não houvesse amanhã, como se seu grito fosse prenúncio para algo que estava a vir – em um instante já sequencial, do tipo que acontece agora, quando o agora era antes um futuro próximo.

– Raimuuuuuuuuuunda!

Tentou projetar a voz para além do ar, mas, com fôlego pouco, não conseguiu fazer soar mais do que qualquer coisa. Raiumunda já não era Raimunda. Era Munda, muda, mudinha que só. E, distante que estava, nem lhe passava pela cabeça esperar a criatura que corria, quase tola, enquanto o mundo se acabava entre seus pés.

– Raimunda! – o último suspiro enquanto os corpos se encontravam, trombando – RAIMUNDA! – há um que de felicidade, pelo intento alcançado, mas felicidade, amigos, não dura mais do que esse próprio instante já.

A dita cuja, então, se virou pra criatura que salivava.

– Quem?

Não era Raimunda, era alguma Railda.

 

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